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BREVE HISTÓRIA DO RETRIEVER DO LABRADOR

 Foram tantas as teorias que procuraram desvendar a origem do retriever-do-labrador que a ficção, por vezes, se confundiu com a realidade. Contudo, essa raça sempre atraiu criadores conscienciosos e competentes, que mantiveram registros detalhados, o que se mostrou muito útil no aprimoramento da raça.

A história da raça nos remete a Terra Nova, uma região fria e inóspita do Canadá, descoberta por John Cabot no século XV. Apesar de as pesquisas arqueológicas terem encontrado vestígios de povoados vikings datados de pelo menos 1.000 d.C., quando John Cabot chegou a Terra Nova era desabitada. Os vikings já haviam partido, os indígenas já haviam estado lá e deixado a região, e os esquimós, famosos por trabalharem com cães, também haviam abandonado o local. Não foram encontrados vestígios de cães na ocasião, mas recentemente pesquisas arqueológicas encontraram restos de cão grande, possivelmente o precursor do terra-nova. Este teria vivido nos antigos povoados indígenas e teria um tamanho ideal para fazer parte de qualquer tribo: podia transportar cargas, puxar trenós ou ser usado como um grande saco de água quente pelas crianças.

John Cabot não tardou a perceber o potencial pesqueiro da Terra Nova e por volta de 1450-1458 frotas pesqueiras inglesas já estavam trabalhando na costa. Os donos das frotas eram capatazes implacáveis e se preocupavam muito com possíveis concorrentes. Proibiram aos pescadores de se estabelecerem nas ilhas para evitar que tivessem idéias de criar seus próprios negócios. Apesar da proibição legal de habitarem a região situada até seis milhas da costa, os pescadores se estabeleceram ali. Provenientes, em sua maioria, de Devon e Dorset, eram resistentes, perseverantes e aptos para a vida dura e rude. Eram incultos, mas muito hábeis em perseguir presas no campo, inclusive em capturar animais selvagens para sua alimentação.

Provavelmente haviam possuído cães em sua terra natal, que caçavam pássaros ou coelhos bem debaixo do nariz dos guardas-caças e esses cúmplices de quatro patas devem ter feito falta quando se tratou de buscar comida em território estranho. E surge esta questão: teriam eles levado consigo os cães da Inglaterra, ou encontrado no novo país um cão que podia ser treinado como auxiliar?

Há registros de que os pescadores de Devon e Dorset pescavam na costa com uma embarcação chamada dory – um tipo de barco aberto com remos pesados. Mantinham sempre um cão a bordo, menor do que o terra-nova, de pelagem mais curta e densa, e ávido por mergulhar nas gélidas águas para recolher o peixe que escapara das redes.

Acredita-se que esse cão que nadava até as redes fosse um cão terra-nova maior, porque para rebocar uma rede de pesca pesando centenas de quilos, mesmo em águas calmas, seria necessário um cão do tamanho de um pônei de Shetland. O cão menor teria as mesmas características do maior, principalmente a afinidade com a água e uma pelagem que escoava a água rapidamente e era suficientemente densa para suportar as baixas temperaturas. Terminado o trabalho, os cães eram içados de volta para o barco pela pele da nuca.

Esses dois tipos de cães é que foram para o interior com os primeiros colonizadores no século XVI. No início do século XIX, os dois tipos eram encontrados na região de St. John da Terra Nova. Um deles, grande de pêlo denso, preto tinha não só a função de nadar junto às redes, mas também de ser cão de carga. O outro, menor, de pêlo denso, era um hábil recolhedor em terra e na água. Talvez esse cão menor tenha vindo da Inglaterra. Poderia ser resultado de um cruzamento com o hound de Santo Humberto.

O Companheiro de Caça

O constante intercâmbio entre a Inglaterra e a Terra Nova fez com que a reputação de recolhedor inigualável do cão de St. John logo se espalhasse entre os esportistas ingleses. Naquela época os aristocratas ingleses viviam em enormes casas no campo dentro de grandes propriedades rurais. O passatempo mais popular era a caça e a aristocracia inglesa estava empenhada em ter o melhor cão de caça possível.

O segundo conde de Malmesbury vivia perto de Poole, em Dorset, que era um dos principais portos de pesca comercial da Terra Nova. Lorde Malmesbury e o coronel Peter Hawker adquiriram vários cães dos pescadores. Foi o coronel Hawker quem, por volta de 1812, deu o nome aos dois tipos de cães. O maior tornou-se conhecido como terra-nova, e o menor como labrador, ou cão de St. John. O coronel Hawker escreveu um livro em 1814 intitulado “Instruções para Jovens Esportistas”, no qual descreve o labrador como sendo “de longe o melhor cão para qualquer tipo de caça com armas de fogo”.

A reputação do labrador não demorou para se difundir mundialmente e o duque de Buccleuch, lorde Home, e Arthur Holland-Hibbert (mais tarde lorde Knutsford) tornaram-se membros do grupo de proprietários de labradores. Era um grupo de aficionados muito bem informados que, felizmente para nós, fizeram criações atendendo à tipicidade do cão e mantendo os registros de pedigree. Arthur Holland-Hibbert destacou-se pela produção de cães saudáveis e perfeitos e a linhagem de seu canil recebeu o nome de Munden. Em 1904, um cão de nome Munden Single tornou-se o primeiro labrador a concorrer em uma prova de campo. Nesse mesmo ano o labrador foi reconhecido como raça pelo Kennel Club e os sete cães registrados pertenciam ao canil Munden.

O conde de Verluam foi um dos primeiros proprietários e criadores de labradores e possuía um cão chamado Sweep.

Cães Influentes

 

Buccleuch Avon foi um dos primeiros cães importantes e provavelmente o ancestral de todos os labradores pretos. Avon, que era filho de Malmesbury Tramp com uma cadela de nome June, foi criado por lorde Malmesbury em 1885. Foi dado ao duque de Buccleuch com outros dois labradores. Ned e Nell. Avon era um cão adorável, com uma cabeça esplêndida e uma expressão muito meiga. Seu nascimento é tido como a data mais importante da história do labrador.

Outro cão importante dessa fase inicial foi Nell, de propriedade do décimo primeiro conde de Howes. Pelas fotos, ela parece ter tido uma excelente cabeça e uma expressão muito meiga e adorável. Possuía patas brancas, mas por meio de uma criação cuidadosa essa falta foi eliminada, tendo-se chegado aos cães de uma cor uniforme, tal como são até hoje os retrieveres-do-labrador.

O Versátil Labrador

 

Desde os primeiros tempos, o retriever-do-labrador destacou-se em inúmeras tarefas. Mostrou ser um excelente cão de caça com armas de fogo, está entre as raças mais populares para guia de cegos e seu faro apuradíssimo o torna ideal como farejador, sendo utilizado pela segurança no combate as drogas. O mais importante, porém, é que seu temperamento notável, marcado por um intenso desejo de agradar, tornou a raça uma das mais populares e queridas dentre os animais de estimação.

Asseio

O labrador é uma raça de pêlo curto e não requer muitos cuidados. Precisará apenas dos instrumentos básicos, tais como um pente e uma boa escova. Uma escovação semanal será suficiente para manter o cão em boas condições.

Se ele se esfregar em algo repugnante, ou estiver perdendo muito pêlo, um banho com um xampu medicinal vai ajudar a eliminar a sujeira e o pêlo solto. Depois de uma boa esfregada com a toalha e de ser penteado e escovado seu cão ficará novo.

Na sessão semanal de asseio examine os ouvidos. Se estiverem sujos, compre um produto apropriado e use-o de acordo com as instruções, removendo toda a sujeira da parte externa do ouvido. Não use cotonetes nem introduza o algodão muito para dentro do ouvido. As unhas devem estar sempre curtas. Se ele andar regularmente na rua, as unhas ficarão naturalmente aparadas. Caso fiquem compridas, corte-as com um alicate de unhas especifico para cães.

Uma pulverização quinzenal com um antipulgas ou coleira antipulgas é recomendável. Um cão saudável tem a pelagem naturalmente brilhante, mas o labrador adora ser escovado e, ao fazer isso, você estará ajudando o pêlo novo a crescer mais rapidamente na época da troca de pêlo.

Saúde

 

Quanto à saúde, Labradores não costumam ter maiores problemas.

Deve-se ter MUITO cuidado ao adquirir um filhote, ou ao pensar em acasalar o cão que está em sua casa. A displasia coxofemoral e a displasia de ombros são duas doenças geneticamente transmissíveis, sem cura e que podem não apresentar sintomas (ou seja, seu cão pode ter e você nem desconfiar).Por isso, quando for comprar um filhote, exija ver as chapas de displasia (raios X) dos pais, mesmo que ambos pareçam saudáveis. Essas chapas são feitas depois dos dois anos de idade (quando o cão já está completamente formado) e por profissional veterinário credenciado pelo Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária (CBRV).

Alguns dos melhores criadores do país, também testam se os cães (futuros pais e mães dos filhotes) tem algum problema cardíaco ou de olhos que possa ser transmissível aos bebês. Como são cães pesados e grandes, deve-se evitar a obesidade (que sobrecarrega patas, pernas e coluna), piso liso e escadas (especialmente com filhotes).

Em países de clima quente, além das duas trocas anuais de pêlos, os Labradores acabam fazendo uma "muda contínua" durante todo o ano.

Alimentação adequada e de boa qualidade, escovações freqüentes e poucos banhos com shampoo ou sabonete, melhoram um pouco a situação. Banhos de piscina ou de mangueira são liberados, mas o dono deve secar as orelhas e ouvidos para evitar otites.

Um outro cão muito parecido com o Labrador é o Golden Retriever, que aparenta os mesmos tamanhos e pesos de um Labrador.

 

Características Gerais

Temperamento – o labrador é gentil, equilibrado, leal e inteligente, além de ser excepcionalmente confiável em sua relação com as crianças e um excelente guarda.
A raça é mais apropriada para uma vida no campo do que na cidade.

 

Tamanho – machos: de 56 a 57 cm; fêmeas: de 54 a 56 cm.

 

Cabeça – crânio largo, stop marcado, focinho grande e bem desenvolvido. As mandíbulas, potentes, e os dentes, perfeitamente sobrepostos aos inferiores.

 

Pelagem – curta, sem ondulação e densa, não macia ao toque e excepcionalmente impermeável. As cores são totalmente preto, amarelo ou fígado chocolate.

 

Patas – compactas e redondas, com dígitos bem arqueados e vastas almofadas plantares. Unhas que combinam com a pelagem.

 

Orelhas – recuadas, portadas rente à cabeça.

 

Olhos – de tamanho médio, marrons ou castanho-claros, com uma expressão inteligente.

 

Corpo – bem constituído, com um peito grande e profundo, dorso retilíneo e lombo largo.


Pernas – membros posteriores vigorosos, e membros anteriores retos desde o cotovelo.

Cauda – “cauda de lontra”, bem definida, coberta por uma pelagem densa, grossa na base e afinando-se para a extremidade.

Focinho preciso – dotados de um excelente focinho, os Labradores foram úteis em ambas as Guerras Mundiais para detectar minas e, atualmente, como cães policiais em atividades diárias que incluem farejar drogas.

Fonte Bibliográfica: “Os Cães”

Autor: David Taylor

Editora: Melhoramentos