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T.A.A X A.A.A - POR IVAN CHITOLINA

 Terapia Assistida por Animais e Atividade Assistida por Animais Como treinador de cães e futuro psicólogo, eu não poderia deixar de me preocupar com o sentidos e os significados das palavras e tampouco com as discriminações dos treinamentos realizados com cães. Quando se fala em treinamentos de cães é importante se ter de antemão algumas questões básicas sobre os objetivos que se deseja alcançar e as funções que esse cão e o treinador terão que realizar. Quando falamos de treinamento de guarda e proteção, entende-se que seja algo totalmente distinto do treinamento de agility, por exemplo. Situações diferentes, objetivos diferentes, funções diferentes e postura diferente do treinador e do cão em cada caso. Quando falamos de Terapia Assistida por Animais (T.A.A) e de Atividade Assistida por Animais, também estamos falando de treinamento e postura distintas. Tanto do cão, como do treinador e profissionais envolvidos. Pelas denominações serem parecidas, a tendência é significá-los da mesma forma por aqueles que desconhecem o assunto. Comecemos por denominar o que é uma terapia e o que é uma atividade segundo o dicionário Hoauiss. Terapia: cuidado, atendimento. Tratamento de doentes; terapêutica; toda intervenção que visa tratar problemas somáticos, psíquicos ou psicossomáticos, suas causas e seus sintomas com o fim de obter um restabelecimento da saúde ou do bem- estar. Terapia de grupo: conjunto de processos terapêuticos nos quais pequenos grupos de pacientes encontram o terapeuta e se comunicam uns com os outros. Atividade: qualidade do que é ativo, faculdade ou possibilidade de agir, de se mover, de fazer, empreender coisas; forma de estudo extracurricular ou de recreação, entretenimento organizado ou dirigido. Observaram como que duas palavras que podem ser parecidas, têm significados diferentes? Reforçarei mais uma vez para que fique claro! Atividade Assistida por Animais é diferente de Terapia Assistida por Animais. A atividade Assistida por Animais, não se baseia em teorias cientificas e não necessita de profissionais vinculados a área da saúde para o seu desenvolvimento. Não há registro das visitas, o tempo não é planejado e não há um acompanhamento da evolução terapêutica de determinado grupo ou sujeito. Em outras palavras, você pode levar um cão em uma creche ou asilo com alguma programação específica e criar atividades com o cão. Na Atividade Assistida por Animais o cão e o treinador costumam ser as estrelas principais, sendo que na Terapia Assistida por Animais a estrela principal é o processo terapêutico, o cão é um co-terapeuta desse processo e o treinador um coadjuvante. Logicamente o treinador é uma peça fundamental, mas dentro da especificidade dele e, em diálogo com os profissionais da área da saúde envolvidos. Aliás, é através desse diálogo que será discutido as demandas de determinado grupo, os procedimentos que podem ser trabalhados e o cão que será necessário para aquela situação. Se não houver esse diálogo entre a equipe, haverá comprometimento no treinamento do cão e consequentemente da relação terapêutica. Pois bem, mas o que seria a Terapia Assistida por Animais? Iniciarei a explicação quebrando um mito: o cão não se transforma em psicólogo. Ele é utilizado durante as sessões de análise devidamente acompanhado de um profissional da área da saúde e seu treinador. Com a Terapia Assistida por Animais é necessário que haja um método e um profissional qualificado, baseado em estudos científicos, precisando atender alguns requisitos básicos: para cada sujeito ou grupo são formulados objetivos precisos a serem alcançados de acordo com a demanda levantada pelo próprio sujeito ou grupo. O processo deve ser documentado e posteriormente avaliado. O tempo é planejado. Qualquer outro projeto que não satisfaça esses critérios é uma Atividade Assistida por Animais. Como profissional fico preocupado em ler nos jornais sobre projetos dessa natureza, e logo de cara eu já enxergo um grave erro. Na maioria das vezes o projeto diz respeito à Atividade Assistida por Animais mas que acaba se apoderando da significação da Terapia Assistida por Animais. Elaborar e executar um projeto de Terapia Assistida por Animais não é tão simples quanto treinar um cão e levá-lo a instituições. Requer tempo, dinheiro, profissionais da área da saúde e treinadores de cães envolvidos e lógico, cães bem preparados.
Não sou contra a Atividade Assistida por Animais, ela não tem fins terapêuticos, mas pode levar prazer para as pessoas envolvidas na atividade, além de propiciar sensações agradáveis da companhia de um animal.
Muitos projetos que se iniciaram como Atividade Assistida por Animais tem um grande potencial para se tornarem Terapia Assistida por Animais. É importante que quem queira iniciar um projeto dessa natureza tenha claro que a nomenclatura correta a ser usada não é Pet Terapia, Animal Terapia, Terapia com Animais, Terapia Mediada por Animais, Terapia Facilitada por Animais, Zooterapia, Cinoterapia, etc. Cientificamente a T.A.A e a A/TAA é reconhecida no mundo, e os países como E.U.A, Canadá e outros da Europa têm adotado esse termo nos últimos 40 anos. Nas palavras de Jerson Dotti (um especialista em A/TAA no Brasil): “Se não estivermos alinhados com o resto do mundo, poderemos comprometer a credibilidade do país frente às organizações internacionais e deixaremos de ter parcerias, convênios e o intercâmbio de informações”.
Ivan Chitolina